Perito Sanguinetti vai investigar ação policial que resultou na morte de Emanuel Boiadeir

 Mãe alega que perícia vai provar que não houve confronto, que o filho dela foi morto por policiais da DEIC enquanto dormia


O perito criminal George Sanguinetti foi contratado pela Família Boiadeiro para investigar a morte de Emanuel Messias de Melo Araújo, conhecido como Emanuel Boiadeiro, 30, morto durante uma operação policial, no dia 1° de outubro deste ano, na cidade de Belo Monte.

O perito alagoano, que ficou famoso por participar de casos de repercussão nacional, como as mortes de PC Farias, em 1996, e da menina Isabella Nardoni, em 2008, estará no Sertão já nesta segunda-feira (21) para iniciar os trabalhos de perícia no local da morte.

A mãe de Emanuel, Maria das Graças, 56, diz que tem certeza de que o filho foi assassinado pelos policiais da Divisão Especial de Investigação e Capturas (DEIC/PC-AL). “Eles o mataram enquanto dormia, sem nenhuma reação. Não tinham nem um mandado de prisão contra ele”, argumentou.

Ainda de acordo com a senhora, populares relataram que policiais que participaram da operação implantaram armas de fogo no local e forçaram algumas pessoas a assinarem documentos. “Um policial teria dito para uma das pessoas que foram presas na operação que ela teve sorte de não estar com meu filho, porque teria morrido também, pois já tinha matado Emanuel”, lembrou a mãe.

Para Maria das Graças, o policial civil, que seria chefe da DEIC, como inimigo pessoal de Emanuel, não poderia ter participado da operação. “A perícia vai provar que não houve confronto, mas sim um duplo assassinato”, disse.

A mãe de Emanuel se referiu a duplo assassinato porque outro homem que estava com o filho dela, identificado como Fabrício Barbosa dos Santos, também morreu na ação policial desencadeada pelo Ministério Público Estadual (MPE/AL), por meio do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (GECOC). Os dois trabalhavam como auxiliares da campanha do prefeito de Belo Monte, Avânio Feitosa.

A referida operação, que tinha como objetivo prender assaltantes de banco, contou com policiais civis da DEIC e da Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (DRN), além de militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE). Quatro pessoas foram presas e armas de fogo foram apreendidas, na ocasião. (leia matéria completa)

Um parente de Emanuel Boiadeiro informou para a reportagem do Correio Notícia que dois integrantes do GECOC teriam dito à família que Emanuel, Fabrício e os quatro presos na operação não estavam na lista de investigados por roubo de banco procurados na operação.

Sobre os crimes atribuídos a Emanuel, a família esclarece que ele respondia, em liberdade, apenas por um duplo homicídio ocorrido em Batalha. Sobre a morte de um promotor pernambucano, crime também atribuído a ele, os familiares explicaram que todos os acusados foram julgados e condenados na sexta-feira passada.

“Temos como provar por meio certidões negativas que Emanuel não respondia a nenhum outro crime, em nenhum estado do Brasil. Confio no judiciário e no secretário de Segurança Pública de Alagoas, mas já adianto que estou disposta a ir até Brasília, se for o caso, para que os responsáveis pela morte de meu filho sejam presos”, concluiu a mãe de Emanuel Boiadeiro.

Procurada pela reportagem do Correio Notícia, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que não iria manifestar nenhum posicionamento sobre o caso nem sobre as alegações da família de Emanuel Boiadeiro. A SSP também esclareceu que o pai do atual chefe da DEIC não foi morto. "À família cabe se manifestar da forma que lhe convier. É um direito", finalizou a SSP.


Fonte: Correio Notícia
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