“Delmiro é quem irá decidir, essa batalha só está começando”, afirma Padre Eraldo




Pré-candidato a prefeito de Delmiro Gouveia, ele falou, em entrevista à rádio Correio, sobre eleições, aliança de pré-candidatos, suposta declaração que gerou polêmica nas redes sociais e disse que foi convidado a voltar ao clero


O pré-candidato a prefeito de Delmiro Gouveia Padre Eraldo Cordeiro (PSD) falou sobre a pretensão de disputar a prefeitura do município, na tarde da última quinta-feira (23), durante entrevista concedida ao programa jornalístico Tribuna Popular, da Rádio Correio FM.

A conversa ao vivo foi coordenada pelo jornalista e radialista Jota Silva, apresentador do programa. Além de falar da pré-candidatura a prefeito, Eraldo falou sobre outros assuntos, como uma suposta declaração que gerou polêmica nas redes sociais. Ele também falou sobre a aliança de outros pré-candidatos do município, disse que foi convidado a voltar ao clero e que o resultado das eleições de 2012 ainda “está engasgado, o povo de Delmiro não engoliu a derrota”.

Confira a entrevista na íntegra:

Após meses, o seu julgamento no TRE/AL foi encerrado. O que o senhor tem a dizer para seus seguidores?

Em primeiro lugar, quero agradecer a Deus que tenho como tudo da minha vida. Até me emociono, pois sei que esse momento é muito especial para mim. Sempre confiei na Justiça de Deus, e acredito que também é possível acreditar na Justiça humana.

Quando as pessoas acham que tudo está perdido, nós que somos cristãos temos sempre a esperança da ressurreição. Jamais perdi a esperança, acho que a população de Delmiro é o motor que sempre me envolve. Desde 2012 estamos numa luta muito grande com a população de Delmiro, onde, de maneira linda, demos uma resposta às pessoas capitaneadas.

A grande maioria do povo de Delmiro e do Alto Sertão me conhece e sabe que sou incapaz de fazer mal a alguém. Nunca desanimei ou fui para o desespero e nem fiz alguma ação que prejudicasse nada e nem a ninguém, graças a Deus.

Essa vitória no TRE não foi minha, mas sim da população de Delmiro, para a qual dedico essa conquista. Agora vamos às convenções, mas se a gente não fosse candidato, o povo não teria muitas esperanças. Fico feliz, porque nós representamos a esperança dos pobres, professores, agentes de saúde, guardas municipais, agricultores, comerciantes e demais.

Como o senhor chegou ao PSD, após sair do PC do B?

Após aquele resultado nas eleições de 2012 continuamos na luta, foi quando descobriram esse processo que eu estava inelegível e quem era meu aliado começou a se afastar, isso é natural na política.

Fizeram a leitura de que Padre Eraldo estaria morto e pensaram em me enterrar, foi quando fui para Brasília em busca de soluções e consegui o Doutor Raul como aliado. Tiramos o caso de Brasília e transferimos para Delmiro, mas isso tudo teve um custo político, foi quando o vereador Pedro Paulo, que continua fiel comigo até hoje, me apresentou ao deputado Ronaldo Medeiros e ele conseguiu essa transferência.

Durante esse acontecimento, escutei uma entrevista do presidente do PC do B dizendo que seria candidato a prefeito de Delmiro, tive que entregar o partido, pois eu também queria ser candidato. Através de Ronaldo Medeiros, procurei o deputado federal Max Beltrão e, junto com lideranças locais, fôramos o partido no município.

Após chegar ao PSD, fui procurado pelo jovem Gabriel Varjão, que representa o povo da Barragem Leste, uma região importante, sempre foi deixada de costas pela vida e pelas administrações que aqui passaram. Ele e Silvinho se colocaram à disposição para estarmos juntos nessa batalha.

O vereador Geraldo Xavier e o empresário Mareval também me procuraram para se unirem a nós. Também conversei com Cacau da Barragem, com o professor Edvaldo, na casa dele, jantei com Edmilson Cavalcante na casa dele, onde tomamos vinho, conversei com a amiga Valfrânia, que tenho muito carinho pela família dela, sentei exaustivamente com Cazuza e com João de Deus Prates para falarmos sobre um projeto para o povo.

Fico muito triste quando ouço os meios de comunicações e as pessoas que vão para lá falar histórias falsas.

Edvaldo Nascimento (PC do B), Valfrânia da Adefideg (PP), Cazuza (PDT) e Edimilson Cavalcante (PR) se aliaram a Valdo Sandes (PSB). O que o senhor achou dessa aliança?

Acho tudo natural, porque essa é a beleza da democracia e o povo tem que entender isso. Na eleição passada, por exemplo, o Edmilson, que é meu amigo e vou lutar até o fim para que ele esteja conosco, era meu vice, mas na eleição de 2008 era um dos candidatos a vereador do grupo de Lula Cabeleira.

Conversei com todos, o único que não falei sobre o projeto foi com Luiz Carlos. Não posso forçar as pessoas, elas vão para onde quiser, mas fico triste, pois dizem que sou o culpado.


Temos quatro pré-candidatos a prefeito, mas o Valdo Sandes tem colocado um discurso mais para cima do senhor, porém, você não faz o mesmo. Como está enxergando isso?

Não sou de fazer isso, mas como sou o pré-candidato com menos dinheiro, me torno o alvo, porém, tenho a consciência de que sou o que representa o povo.

Vejo quando vão para o rádio, cada um fica disputando de quem é quem o apoio, mas, se de Deus quiser, vamos conseguir registrar nossas candidaturas e quero ter o apoio do povo de Delmiro, porque se eu não for prefeito, tenho muito medo pelo futuro da gente, não é porque sou bom, pois não tem prefeito bom, e sim o que trabalha.

O nome de Gabriel Varjão está firme como pré-candidato a vice-prefeito de sua chapa ou a ainda se estuda outra possibilidade?
Temos que ser bem práticos. Sempre defendi que tínhamos que contemplar a região da Barragem Leste, como o Silvinho, que é dessa região e desde o começo é um dos nomes para conjuntura de vice.

Mareval é um nome excelente para qualquer candidato, também um excelente nome é o de Edmilson Cavalcante, mas a Barragem Leste precisa ter um nome, e nós tínhamos o Reinaldo que nesse ínterim, no meio dessa confusão, saiu do nosso grupo e ficamos órfãos no ponto de vista de lideranças políticas. Gabriel chegou na hora certa e o povo de Delmiro entende isso.

Na minha opinião, e não vou discutir, porque quem vai discutir isso mais na frente são os partidos, mas se depender de mim, e eu colocaria o Gabriel tranquilamente e sem nenhuma frescura, porque tenho conversado muito com o pessoal daquela região. Todo mundo quer ser vice, mas a gente tem que colocar o vice que agregue.

O senhor é a favor da reeleição?

Nós precisamos fazer algumas reformas importantes no país. Acho que a reforma política tem que ser feita, mas o Congresso insiste em não querer enfrentar.

Também acho que uma das fontes da corrupção é justamente o intuito da reeleição, porque você vai trabalhar para agregar e comprar gente, fazer de tudo para não perder a eleição. Se você faz um bom governo, você tem necessariamente que trabalhar o seu sucessor, a democracia tem que viver desta dinâmica da alternância do poder.

Imagina um prefeito ficar 16 ou 20 anos no poder, é impossível essa conjuntura nesse modelo de democracia representativo que nós temos, onde o poder executivo é um poder quase absoluto. Sou radicalmente contra reeleição, acho que deveriam ser pelo menos cinco anos para que em dois você tente definir metas e nos outros três você implantaria o projeto, pois não é difícil.

Realmente ocorreu a afirmativa de que quem tomava iogurte se tornava gay aos 13 anos?

Completei 27 anos sendo padre, sempre fui vaqueiro, é tanto que quando cheguei no seminário, em Palmeira dos Índios, a primeira coisa que eu pedi foi que tivesse uma vaca para tirarmos leite de manhã. O meu grande projeto é cuidar a cultura é juntar o evangelho e a cultura nordestina.

Celebro missas de vaqueiros há 27 anos, todas do mesmo jeito, sempre brinquei. Eu exijo que a comunhão do vaqueiro seja rapadura, carne de sol e queijo, que é para alavancar nossa cultura.

Nessa celebração que gerou toda essa polêmica, a vice-prefeita de Água Branca, Tatiane Dorinha, pegou o microfone e disse que nunca tinha visto uma missa tão bonita.

Estavam lá duas figuras que não gostam de mim não sei por que, pois, o que eu faço é rezar por eles, pegaram umas frases soltas do contexto cultural. Fiquei muito triste e quero pedir desculpas a todos que se sentiram ofendidos.

Se eu não fosse pré-candidato e não enfrentasse esse povo poderoso, não teria essa repercussão, pois brinco em todas as missas, mas são dentro de um contexto que discutimos a cultura nordestina, essa é minha função e não vou abrir mão disso. A única coisa que eu vou fazer agora é não toca mais no Danoninho para não criar problema com o mercado.

Como está a posição de Renan Calheiros e Renan Filho em seu projeto político?

Independentemente de qualquer cidade, é importante ter o Governo do Estado e ter gente forte em Brasília, não tenho aproximação com governador Renan Filho, mas me dou muito bem com o senador Renan.

É uma grande importância você ter um Renan aliado lá em Brasília para a gente conseguir recursos para o município. Não tenho nada contra e converso com todos, pois preciso do apoio de todos. Na última eleição, votei em Renan e não me arrependi. Temos que pensar no melhor para Alagoas e para Delmiro Gouveia.

Dos quatro pré-candidatos que se aliaram a Valdo Sandes, qual o senhor considera como perda para o grupo de Eraldo?

Aprendi que a política é a arte de juntar, o político bom é aquele que consegue trazer todo mundo, mas acho que, se tivéssemos juntos em um único grupo, Delmiro Gouveia iria ganhar muito, porém, temos que ver se é isso que o povo quer.

Vamos à luta, vamos matar um leão por dia que nós conseguimos nossos objetivos. Delmiro é quem irá decidir, essa batalha só está começando.

Fui convidado para retornar ao clero, mas pedi para terem paciência, pois o resultado da eleição de 2012 está engasgado. O povo de Delmiro não engoliu a derrota.


Fonte: Correio Noticia

Share on Google Plus

About Canal Na Hora

    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários:

Postar um comentário

Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Inhapi Informes ou de seus colaboradores.