Mãe de criação está entre os presos acusados de assassinar criança de seis anos em Inhapi

[caption id="attachment_4834" align="alignleft" width="300"]Minuto Sertão Minuto Sertão[/caption]

A mãe de criação do menino José Paulo Gomes da Silva, 06, brutalmente assassinado na tarde do último sábado (3), em Inhapi, está entre as quatro pessoas acusadas do crime que foram detidas na manhã desta quarta-feira pela Polícia Civil. Josélia Geruza Gomes, 30, foi a primeira pessoa a levantar a suspeita de estupro do garoto que criava desde recém-nascido e que é filho biológico de uma irmã dela.

A reportagem do Minuto Sertão conversou com Josélia no dia do ocorrido e ela disse que desconfiou do fato do filho apresentar vários hematomas pelo corpo. A mesma também relatou que o menino estava com sangramento no ânus e no nariz, além de ferimentos que pareciam ter sido provocados por queimaduras de cigarro.

Josélia contou na ocasião que antes de encontrar o filho quase morto, um adolescente de 14 anos, tio dele, tinha pedido para realizar um passeio com ele. A mulher revelou que ficou receosa, já que o menino sofria de problemas mentais, mas como se tratava de um parente, acabou permitindo.

A mãe disse que após cerca de duas horas, o menor apareceu só com as roupas do sobrinho e ao ser questionado sobre o que havia acontecido com ele, o mesmo teria dito que não sabia, embora o tenha levado para passear sob sua responsabilidade. Ela relatou que entrou em desespero e a aflição aumentou ainda mais ao tomar conhecimento de que o adolescente e alguns amigos estavam se banhando junto com a criança em um barreiro, localizado no Sítio Roçado, zona rural do município.

A própria Josélia procurou o Grupamento de Polícia Militar (GPM) da cidade para denunciar o tio do garoto pelo sumiço do filho, inclusive o Cabo Marcos Araújo informou que ela chegou no destacamento com sinais de embriaguez e que mesmo assim, como se tratava de uma denúncia grave, uma guarnição foi até o referido açude, onde o menor que tinha dito que não sabia do paradeiro do sobrinho, já estava esperando os policiais com o garotinho desfalecido nos braços,  situação que fazia parecer que a vítima tinha sido resgatada de dentro das águas.

Os militares informaram para a reportagem que José Paulo ainda estava com vida, quando recebeu os primeiros socorros de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que ainda tentou reanimá-lo, mas como não conseguiu, o encaminhou para o hospital regional Clodolfo Rodrigues de Melo, em Santana do Ipanema. O mesmo teria morrido a caminho da unidade de saúde.

A mãe se manteve firme na acusação contra o adolescente que é irmão do pai do garoto, mas a investigação policial apontou que ela mesma foi quem levou a criança até os acusados que foram identificados como Antônio Abílio dos Santos, 26, e dois adolescentes de 16 e 17 anos. Eles teriam estuprado o menino e como senão bastasse a barbaridade, ainda o teriam torturado com espancamento e queimaduras de cigarro.

Conforme o inquérito da polícia, a criança não suportou as agressões e ficou inconsciente. Esse teria sido o momento em que os criminosos resolveram mergulhar a vítima nas águas do barreiro para simular um afogamento. A equipe da PM que foi até o local junto com a mãe de criação teria chegado pouco tempo depois do ocorrido, tanto que o garoto ainda foi encontrado com vida.

Três dos acusados foram detidos em suas residências, situadas em Inhapi, já o outro foi encontrado às margens do Rio Ipanema, em Batalha. Os quatro foram levados para a Delegacia Regional de Polícia (1ª-DRP), sediada em Delmiro Gouveia.  Na cadeia, foi descoberto que o preso Antônio Abílio dos Santos já responde por outros dois crimes de abuso sexual, ocorridos na mesma cidade.

Segundo o delegado regional, Rodrigo Rocha Cavalcanti, titular da 1ª-DRP, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) era imprescindível para a elucidação do crime, mas como ainda não estava pronto, o mesmo tomou a iniciativa de falar com o médico legista e conseguiu dele o resultado antecipado do exame.

Conforme Cavalcanti, o médico informou que o menino morreu em decorrência de estrangulamento e que apresentava várias lesões características de espancamento, além de várias queimaduras que podem ter sido provocadas com pontas de cigarros. Ainda de acordo com o delegado, o legista confirmou que a vítima foi estuprada e assegurou que a mesma já vinha sedo abusada sexualmente há muito tempo.

Chocados com a brutalidade do crime, populares chegaram a cobrar a prisão dos responsáveis diretamente ao delegado regional. “As pessoas ligavam para a delegacia quase todos os dias, alguns chegaram a telefonar para mim, pedindo uma solução do caso. Queremos enaltecer o empenho de todos os policiais civis da equipe da regional na resolução desse caso que deixou a população estarrecida”, concluiu Cavalcanti.

Todos os presos foram indiciados pelos crimes de violência sexual e homicídio. Eles, inclusive os menores apreendidos, estão à disposição do juiz Jairo Xavier, titular da comarca de Mata Grande, mas que também responde por Inhapi.
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